A SANTA CEIA -UMA POÉTICA DA PUREZA
Por Suzane Wonghon
«A "Última Ceia" de Da Vinci é indiscutivelmente uma das mais famosas e importantes obras na história da pintura. A qualidade do mural foi prontamente reconhecida com reproduções e releituras que se seguiram através dos tempos e que são produzidas até hoje, povoando o imaginário de pintores e escultores que, à sua maneira, reconstruiram a mesma cena.» http://www.pitoresco.com.br/espelho/destaques/davinci/santa_ceia.htm
Maristela Winck, com sua A Santa Ceia – Uma Poética da Pureza, foi a grande premiada no 17º Salão de Artes Plásticas da Câmara Municipal de Porto Alegre.
O trabalho, envolvendo crianças e a figura central, feminina, traz-nos alguns questionamentos.
No imaginário religioso cristão, perpetuado em inúmeras leituras plásticas, onde a mais conhecida é a Última Ceia de Da Vinci, a cena é composta pelo Cristo rodeado pelos apóstolos.
No livro, Código Da Vinci, de Dan Brown, e posterior filmagem, esta visão masculinizada do cristianismo é contestada quando é sugerida a presença de Maria Madalena ao lado do Cristo. Verdade ou ficção, o que não vem ao caso, porque tanto o livro quanto o filme são obras de arte em princípio, não tendo nenhum compromisso com o fato histórico, permitem-nos entretanto uma maior abertura para a compreensão do gesto.
A ceia, um gesto de amor. Repartir o pão e o vinho, o alimento do corpo e da alma.
Maristela, que em seu trabalho anterior, utilizava como personagens, fotografados em preto e branco, seus familiares e amigos, já indicava sua profunda compreensão com a simbologia da Ceia. O ritual compartilhado por aqueles que possuem vínculo entre si, no caso, a família, porém ampliada, abrindo espaço para os que se agregaram a ela.
Nesta Ceia, colorida, as crianças. O futuro. Esperança de um mundo mais solidário, sem distinção de raça, credo ou gênero. Através delas, revela sua preocupação com o descaso no Brasil e no mundo com as crianças e adolescentes, de como são tratadas, sujeitas aos mais diversos abusos, dentro e fora do lar.
No centro, a mulher, a mãe. A que gera, que alimenta, que educa, que exerce, muitas vezes, o papel de pai também. A que busca e a que reparte o pão. Exercendo vários papéis, dentro e fora de casa, com a dupla ou tripla jornada de trabalho, a mulher atual comparada ao Cristo na obra, revela-nos a imensa capacidade feminina de luta para garantir a sobrevivência de sua prole.
MARISTELA WINCK é artista plástica, formada em Letras pela Unisinos – SL, pós-graduada em Poéticas Visuais - ênfase em Fotografia, Gravura e Imagem Digital pela Feevale – NH. Estuda Teoria de Artes no Atelier Livre de Porto Alegre. Nasceu em Pato Branco-PR, vive em São Leopoldo e trabalha em Novo Hamburgo.
Participou de diversas exposições individuais e coletivas em Museus e Espaços Institucionais tais como MASC; MAC–RS; Pinacoteca da Feevale-NH; IHU–Unisinos-SL; Galeria Lunara–RS; Palácio da Artes-Roraima; Câmara Municipal de PoA. Participou dos Projetos: Paraguas Intervenidos(Assoc. Chico Lisboa), Porto Alegre em Foco (Instituto de Artes), Mirabolantes Artistas (Atelier Livre da Pref.), além de Salões Nacionais.
Suzane Wonghon
Graduada em Arte Plásticas, Pintura, e Licenciada em Educação Artística pela UFRGS. Artista Plástica e Professora.
