SABEDORIA ou ASTÚCIA
POLÍTICA para a ARTE e para a CULTURA do ESTADO do RIO GRANDE do SUL
Círio SIMON1
em 26.11.2008
"Se fossemos tão inteligentes como nos imaginamos, já teríamos chegado á sabedoria"Sêneca2
A arte e a cultura sul-rio-grandenses ainda não atingiram o nível da inteligência, muito menos da sabedoria. A arte e a cultura sul-rio-grandenses debatem-se, em pleno século XXI, entre as astúcias, os arranjos e as espertezas decorrentes das leis que regem as lutas das espécies primitivas e naturais.
A cultura sul-rio-grandense e o seu Conselho Estadual de Cultura (CEC-RS) estão enfrentando mais uma astúcia no arranjo do PL nº 294/2008 de um governo de transitório, que se julga onipotente, onisciente, onipresente e eterno.
Governo que desconhece a sua competência no exercício da sabedoria de um projeto civilizatório compensador da violência. O poder originário e o cidadão singular delegam-lhe o exercício da violência da qual abdicam em favor de um governo instituído. No exercício desta delegação, o governo falha redondamente. Esta falha, deste governo, pode ser constatada na vida diária de qualquer cidadão e em especial das cidadãs. Governo frustrado que se lança contra artistas, intelectuais e produtores culturais, pois julga que com esta esperteza pode projetar uma ação fictícia deste governo.
O fictício e a falta da seriedade da compensação da violência - que o governo deveria exercer em relação a população indefesa e desarmada - pode ser avaliado quantitativamente pela dotação orçamentária de 2009 para a cultura sul-rio-grandense. Dotação orçamentária para a cultura é a menor quantitativamente, índice da ignorância do que constitui um projeto civilizatório compensador da violência e amostra da falta de empenho de uma vontade política nesta direção.
Neste orçamento espantam os custos derivados a escolha entre da construção e da manutenção de um PRESÌDIO (repressão) e os da construção e da manutenção adequada de uma ESCOLA (compensação). Escolha que projeta para o Estado do Rio Grande do Sul um dos mais estéreis projetos para as sua gerações futuras. Nem ao menos existe uma justificativa desta ignorância do poder que a cultura exerce em todos os orçamentos de países civilizados e as razões desta escolha em preterir para último lugar os custos da cultura e da arte sul-rio-grandense. A História das civilizações comprova que uma crise cultural é muito pior do que uma crise econômica.
Evidente que um projeto civilizatório compensador da violência passa pela EDUCAÇÂO institucionalizada. Não aquela pseudo EDUCAÇÂO exercida através de eventos de mídia por sofistas, por astutos, espertinhos de plantão tirando proveito da ignorância alheia. Pseudo EDUCAÇÂO que deixa os seus clientes de ocasião mais ignorantes, confusos - se não mais violentos. A corrupção dos ótimos é péssima.
O horizonte de uma fecunda aliança entre o ESTADO e os PRODUTORES CULTURAIS traz de volta e mantém simultaneamente a SEGURANÇA e LIBERDADE da cultura e da arte sul-rio-grandense. Segurança expressa pela serena e a continuada atuação do CEC-RS e que é a legítima representante constitucional do Estado do Rio Grande do Sul. Produtores culturais que de fato expressam a LIBERDADE dos artistas criadores e que constitui o seu poder originário que representam de direito diante do Estado sul-rio-grandense.
A criatura humana só obedece por duas motivações: obedece se pode ganhar algo - obedece se pode perder algo. O CEC-RS pode oferecer a segurança e a memória3 de sua ação positiva. O atual governo só pode ameaçar de perdas. Perdas como aquelas que constam no seu orçamento de 2009 e na subtração de competências do CEC-RS como aquelas que constam no arranjo do PL nº 294/2008.
Um Estado a civilizado necessita da cultura e da educação para a legalidade, para a impessoalidade, para a moralidade, para a publicidade e a para eficiência. Só assim pode fugir do círculo de ferro das leis que regem as lutas das espécies primitivas e naturais. A cultura e a educação para legalidade e não para o legalismo interesseiro e espúrio. A cultura e a educação para a impessoalidade da liberdade e autonomia e não para a heterenomia que rasteja na trilha única da vontade do cacique, do coronel ou capitão de mato. A cultura e a educação para a moralidade não para o moralismo de ocasião. A cultura e a educação para a publicidade e transparência e não para o marketing das meias-verdade e favoráveis a quem divulga o fato. A cultura e a educação para a eficiência que cumpre todos requisitos anteriores. Também aqui a corrupção dos ótimos é péssima.
Evidente que Conselho não necessita de conselhos. Mas seria altamente desejável - para toda a cultura e a arte sul-rio-grandense - que o CEC-RS - sem deixar abalar a segurança da sua ação serena e continuada – também não se confundisse pela areia jogada nos seus olhos por um governo transitório e que ameaça o CEC-RS da perda da sua autonomia e da sua competência constitucional.
- www.ciriosimon.pro.br
- “Penso que muitos poderiam ter atingido a sabedoria, se não se tivessem imaginado ter chegado até ela, se não se tivessem fingido certas coisas em si mesmos, se não passassem por outras com os olhos fechados” SÊNECA Da tranqüilidade do ânimo, p. 08 in
- http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=6773
- O CEC-RS - para garantir a sua própria memória e consciência dos seus próprios caminhos realizados e a trilhara ainda- necessita cultivar a política e a realização de um a ARQUIVO próprio e profissionalizado. Um ARQUIVO PROFISSIONAL constitui um instrumento institucional e é benéfico para a responsabilidade administrativa, gera e apóia o desenvolvimento continuado e físico do hábito da integridade integral .
