NOVAS SEÇÕES DE ANDRÉ VENZON
O trabalho que André Venzon apresenta em Brasília parte de uma proposta in situ que interfere plenamente no vão de circulação pública da marquise de concreto que abriga a Galeria Marquise. Neste vão são instaladas paredes de madeirite, alinhadas e separadas por sendas de larguras variáveis que permitem àqueles que por ali passeiam reinventar trajetos e, por conseqüência, paisagens. A galeria que antes oferecia um espaço totalmente aberto a horizontalidades agora se transforma , desafiado por tapumes róseos que redesenham suas dimensões e as possibilidades estéticas de se estar nesse lugar. Espaço de arte que é, com a obra de Venzon, também espaço aberto e ambiente provisório, delimitado por paredes planas e secções de acesso e mirada. Para redesenhar esse lugar público o artista interpõe limites à amplidão espacial prevista pela arquitetura original e dominante na cidade, buscando um diálogo com esse projeto de proporções sobre-humanas. Para André Venzon o que "passa pela cidade passa pelo corpo" e com esta intervenção ele nos permite revisar o entorno urbano, arquitetônico e social, a partir de uma perspectiva antropométrica mais intimista. Nos devolve a possibilidade de nos incluirmos de forma autoral nesse contexto que pede presença, iniciativa, curiosidade e ousadia para reinventar modos de ser e estar nesse lugar, posturas, caminhos, trânsito e a reconstrução de paisagens focados sob perspectivas variáveis.
